
Esta é a primeira vez que resenho um aplicativo que não comprei, nem usei. Ao longo vou explicar porque.
Há alguns meses uso o IAWriter para iPad. O aplicativo simplesmente me seduziu. Li sobre ele em diversos sites de resenhas, esquadrinhei o site dos desenvolvedores (cujo nome é bastante interessante, Information Architects).
Enquanto estava me decidindo para saber se batia o martelo ou não, o aplicativo entrou em oferta na app store, para comemorar o anúncio da versão para Mac, cujo lançamento estava próximo. Isso favoreceu com que eu tomasse minha decisão. O app custava 4,99, baixou para 0,99 por um dia (só tomei conhecimento depois) e passou um outro bom tempo em 2,99, quando o adquiri.
Ele tem sincronismo com Dropbox, embora seja pessimamente implementado. Uma pena. Porque, para iPad, ele tem algumas características interessantes.
A mais obviamente útil é o teclado modificado. As teclas |word e word| são extremamente úteis, além dos outros símbolos hífen, ponto-e-vírgula, dois pontos, aspas duplas, aspas simples, parêntesis e direcionais para a esquerda e para a direita.
Usá-lo dá vontade de que todos os programas para iPad, incluindo os nativos da Apple usassem esse recurso. Quantas vezes não estou digitando com o teclado virtual, com o iPad segurado pelas duas mãos, em posição retrato, e tenho que soltar uma delas, segurando o iPad na outra, para posicionar o cursor na tela? Muitas.

A navegação por palavras prende suas duas mãos no terço inferior do iPad em modo retrato, e na metade inferior, no caso de quem o segura com as duas mãos e digita em posição de paisagem, que eu duvido que sejam muitos.
Então, a versão para iPad é uma mão na roda. Esperei ansiosamente pelo lançamento para Mac, e me dizia que compraria logo que fosse lançado. O que me deteve dessa vez, foi o preço.
O aplicativo para iPad exibe um recurso que é a idéia principal da equipe de criação do IAWriter. Um conceito de escrita em modo foco.
Este conceito, um tanto polêmico, pois leva um tempo para a gente se acostumar, quando conseguimos usá-lo, verificamos que é realmente útil ter o resto do seu texto como referência esmaecida.
Pois este é o carro-chefe da versão para Mac. O vídeo de lançamento mostra um joguinho arcade do tipo “space invader”, detonando a interface do Word para apresentar o IAWriter para Mac: O aplicativo se vende pelo que não tem.
iA Writer for Mac from Oliver Reichenstein on Vimeo.
Com este foco na simplicidade, sem suporte a mouse, e tendo como atrativos a escrita em foco (que está em processo de ser patenteada pela equipe do IA), o Auto Markdown (formatação automática respondendo à sintaxe simples da linguagem de formatação de documentos para a web criada por John Gruber), e sua interface engessada, que sequer tem diálogo de preferências.
Quer mudar a fonte? Não pode. Quer aumentar seu tamanho? Não pode. A única coisa que você pode, é por o aplicativo em tela cheia no mac, ligar e desligar o focusmodeâ„¢.
Tudo isso (quer dizer, apenas isso) por… 18 doletas? E ainda está com 10% de desconto pelo lançamento!!
Os caras merecem um Mac Lanche Feliz pela versão para iPad, mas, tirando o automarkdown, o aplicativo deles para iOS faz TUDO o que o do Mac OS X faz, por um terço do preço. E ao que tudo indica, em vez de adicionar features ao aplicativo, que poderia valorizar o investimento inicial, a tendência deles é tirar, com seu minimalismo autoritário.
Sinto muito, Information Architects. Estou escrevendo este post no meu iPad, usando o IAWriter. Mas não acho que posso pegar um abacate, tirar a casca e a polpa e vender o caroço mais caro que o abacate, com a desculpa de ele ser um abacateiro em potencial.
IAWriter for mac, EU PASSO!
ATUALIZAÇÃO 30/05/2011:
A curiosidade deixou o gato 30 reais mais pobre.
